quinta-feira, 20 de julho de 2017

#16 História do Novo Sobrenome, Elena Ferrante

Não sei mais viver sem Lenu e Lila... Fazia tempo que não me sentia órfã quando um livro acabava! Até li outro depois de "A Amiga Genial", da mesma autora, mas logo emendei esse "História do Novo Sobrenome".
Aqui, as amigas de infância de Nápoles fazem a transição para a vida adulta de maneiras que podem ser até previsíveis para cada uma delas. A relação entre elas continua inconstante. Quem é boa e quem é má? Existe essa divisão? Elena Ferrante, seja ela quem for (já que se diz tratar de um pseudônimo), consegue uma profundidade de camadas que impressiona pela vivacidade, verossimilhança e carga emotiva.
Fazia tempo também que eu não me emocionava tanto com uma história e que não me identificava tanto com um personagem! Amo Elena Greco, com toda sua incoerência. Mas, afinal, não são os seres humanos assim mesmo tão complexos?

O segundo livro da chamada quadrilogia napolitana deixa marcas ainda mais indeléveis na alma de quem se sensibiliza. 

domingo, 9 de julho de 2017

#15 Por que fazemos o que fazemos?, Mario Sergio Cortella

O professor, escritor e filósofo Mario Sergio Cortella nos leva a refletir com esse livro sobre a nossa relação com o trabalho. O que te leva a levantar cedo todos os dias e ir trabalhar, a importância de ter uma vida com sentido e propósito, de onde vem a motivação são alguns dos temas abordados. Particularmente, me ajudou tanto como profissional em busca de um sentido no que faço quanto no meu papel de líder de um grupo e o que posso fazer para a ajudar minha equipe a perceber como seu trabalho pode ser melhor e como seu trabalho pode te fazer feliz (ou não, dependendo do caso). Leitura muito construtiva e que te leva a um nível de reflexão que pode até provocar grandes mudanças na vida, mesmo que não sejam imediatas. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

#14 Intérprete de Males, Jhumpa Lahiri

Conheci a escritora indiana Jhumpa Lahiri este ano mesmo, quando li seu O Xará, que veio na caixinha da TAG (www.taglivros.com.br) de fevereiro, já resenhado aqui (http://adrianabuzzetti.blogspot.com.br/2017/05/4-o-xara-jhumpa-lahiri.html). Neste Intérprete de Males, uma coletânea de contos (este, definitivamente, é o ano em que li contos!), as nove histórias mostram personagens em situação de transposição – sejam indianos vivendo fora da Índia (EUA ou Inglaterra) ou uma família de indianos (ou descentes) já americanizados, visitando a terra natal (como no conto que dá título à obra).  Há sempre uma certa estranheza, mas ao mesmo uma tolerância com o que é diferente, quase como uma acomodação, no sentido de colocar as coisas nos lugares para elas encaixarem mesmo não sendo partes perfeitas de um quebra-cabeças. A temática do imigrante em cultura estranha está lá, às vezes pelo olhar de uma criança, sem julgamento, mas com uma curiosidade isenta. Em outros contos, o que se sobressai são temas mais universais, envolvendo amor, sexo, romance. Destaque para “Sexy”, “Quando o Sr. Pirzada Vinha Jantar” e, claro, “Intérprete de Males”.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

#13 A Amiga Genial, Elena Ferrante

A narradora, Lenu, já adulta, conta a história de sua amizade com a Lila desde quando elas eram duas menininhas de 6 anos de idade até os 16, já numa quase transição para a vida adulta. A história se passa na Nápoles do final dos anos 50 e começo dos 60. E não, imagine você, não é uma historinha bobinha!! Eu pensava: “Que burburinho todo é esse em torno dessa tal de Elena Ferrante que, tal qual o grafiteiro Banksy, ninguém sabe quem é?” Pois fui verificar no primeiro livro da chamada quadrilogia napolitana. Assim fui laçada desde as primeiras páginas, chegando a sentir saudade das personagens quando ficava um dia ser ler, por algum motivo que me impossibilitava! Além de retratar toda a comunidade em que elas estavam inseridas, com seus personagens muito bem desenhados, o romance mostra de dentro da cabeça de uma menina (mas com uma certa consciência por estar escrevendo já depois de adulta) os questionamentos existenciais da infância e da adolescência, o choque de realidade com algumas situações vividas, a descoberta do amor e a constatação do não-amor, as escolhas feitas e a ação do acaso. Terminei a leitura e me senti órfã. Preciso urgentemente do segundo livro da quadrilogia!
Em tempo: ao escrever esse texto, leio o terceiro livro da série. Talvez algumas ideias minhas sobre "A Amiga Genial" tenham mudado (mas não a intensidade com que me abateu), mas preferi manter o texto que escrevi assim que o terminei. Em breve mais!

sábado, 10 de junho de 2017

# 12 A Cor Púrpura, Alice Walker

Aqui estou acertando uma dívida imensa, pois se trata de um mega clássico. Se disser que não vi o filme, então, vão me crucificar. Bom, sempre é tempo de corrigir, não é mesmo? Pra quem não conhece nem o filme, um pequeno resumo: história de Celie, mulher, negra, com pouca instrução, é abusada e tem um casamento arranjado com um homem que lhe bate e a trata como empregada. Ela tem tanto amor no seu coração, que, mesmo em meio a tantas tristezas, mantém o espírito confiante de que vai encontrar a irmã que não vê há anos. Primeiro, queria destacar a forma epistolar do romance. Celie escreve cartas para Deus, nas quais desabafa, mas basicamente é com quem conversa, já que na vida real é muito calada. Depois passa a escrever para a irmã, que vive na África, e a esperança de reencontrá-la ressurge. Mas é através das pessoas que conhecem Celie de verdade e passam a entendê-la que ela de fato se conhece, e se transforma, sem perder sua essência. Lindo!

terça-feira, 30 de maio de 2017

#11 Os Irmãos Sisters, Patrick deWitt

Livro de abril da TAG (www.taglivros.com.br). História se passa no final do século XIX no oeste americano, durante a busca pelo ouro. Os irmãos Charlie e Eli são contratados para assassinar um garimpeiro. Ao longo da narrativa, além de passagens cômicas (prestem atenção aos hábitos de higiene bucal adquiridos por Eli), vai se desenrolando a natureza de cada um e vemos até como as transformações os afetam. Uma cumplicidade antiga está em jogo, mas cada um tem a sua contribuição para o desenrolar dos fatos, mesmo sendo Eli quem a narra. Mais um da série “Nunca tinha ouvido falar, mas gostei de conhecer”.
Detalhe: nunca tinha lido autor canadense até o livro anterior. Esse foi o 2º já na sequência!

domingo, 28 de maio de 2017

#10 A Fugitiva, Alice Munro

Taí uma grata surpresa. Confesso que não esperava muito (por ignorância minha), mas no fim me arrebatou. O 3º livro de contos do ano. Alice é canadense (e eu nunca tinha lido um autor ou autora canadense!), e todas as histórias se passam no Canadá, nunca numa cidade grande. Às vezes perto de uma. Em todos os contos as personagens principais são mulheres. E a delicadeza com que a autora trata das questões, da vida dessas mulheres, dos caminhos que seguem, das desilusões ou do não acontecer nada, é de emocionar. Se você não conhece o estilo da autora, não espere nada rápido, nenhum enredo cinematográfico. A beleza está no não-dito, no não-narrado, no não-realizado. Destaque para os contos “Peças”, “Paixão” e “Daqui a Pouco”.