segunda-feira, 12 de março de 2018

#8 Mindset – A Nova Psicologia do Sucesso, Carol Dweck


Eu acho que sempre tive uma queda pela Psicologia, mas só agora venho a admitir. Com a minha guinada profissional para um cargo de liderança, acabei lendo livros desse assunto e daí para chegar a inteligência emocional, mindset, resiliência etc., é um pulo.
Mindset – A Nova Psicologia do Sucesso tem capítulos interessantíssimos para ajudar professores e pais a lidar com as crianças. E durante a leitura, quantas vezes não me vi pensando o quanto já agi errado com meus sobrinhos, minha enteada e filhos de amigas. Também achei bastante útil o capítulo sobre liderança, que tem a ver diretamente com minha função atual.
Embora repetitivo em alguns momentos, porque os assutos se engtrelaçam, achei a leitura bastante agradável, com linguagem fácil que satisfaz leigos (como eu!), sem ser simplista demais.

segunda-feira, 5 de março de 2018

#7 Os Russos, Angelo Segrillo

Quem acompanha o blog já há uns meses ou conhece meus gostos literários, sabe que eu adoro a literatura russa e no ano passado li várias obras relacionadas. Eu também adoro história. Estou sempre lendo alguma coisa nesse assunto. Daí que esse livro Os Russos, parte de uma coleção maravilhosa chamada Povos e Civilizações, publicada pela Editora Contexto, veio bem a calhar. E a dica casa mais ainda com o ano da Copa do Mundo na Rússia!
De fato, eu o comecei a ler em meados de 2017, mas agora no início de fevereiro concluí cerca de 40% que faltava.
Claro que não é uma obra definitiva nem a mais completa, mas dá um belíssimo panorama da história desse povo tão interessante! Perto do que o brasileiro médio aprende na escola sobre a Rússia e a União Soviética, esse livro trouxe muito mais informação, sem sombra de dúvida.
O autor é um professor universitário de história que viveu na URSS durante a transição para uma economia mais aberta, promovida por Mikhail Gorbachev, até os anos 90, com Boris Yeltsin já no poder. Mas o livro chega até a última eleição de Vladimir Putin, em 2012. Um prato cheio pra quem gosta e quer saber um pouco mais sobre esse país, a origem de seu povo, seus costumes e as transformações pelas quais passaram ao longo dos séculos.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

#6 O Engate, Nadine Gordimer

Quando eu fiz minha Restrospectiva Literária de 2017 (http://adrianabuzzetti.blogspot.com.br/2018/01/retrospectiva-literaria-2017.html), constatei que havia lido alguns livros “fora da curva”, ou seja, que não faziam parte do cânone consagrado da literatura mundial e também alguns livros de escritoras de países dos quais eu nunca havia lido nada antes. E foi aí que me comprometi a fazer mais leituras desse tipo em 2018.
Nadine Gordimer (sul-africana, ganhadora do prêmio Nobel de Literatura de 1991) me apareceu como bibliografia da disciplina Literatura e Diferença no curso de Letras, uns anos atrás, mas na época não chegamos a cumprir o programa todo e a obra dela recomendada não foi trabalhada no curso (confesso que não lembro qual era) e eu não a li.
Eis que deparei com esse O Engate por um preço muito convidativo e não titubei. Por meio do romance entre a sul-africana, branca, relações-públicas, de família rica (porém renega o berço) Julie e o imigrante ilegal de origem árabe e mecânico de carros Abdu, a autora tece uma linda e sutil rede de encontros e desencontros e de choques culturais. Tudo o que Abdu quer é o que Julie despreza, mas ela o segue dentro de seu mundo em forma de apoio. Mas até quando? Qual o limite do amor? E quando o amor vai de encontro aos nossos sonhos e à nossa idealização do que queremos para a vida?
A narrativa entra nos pensamentos dos dois e em muitos momentos o leitor tem que se atentar para qual voz está narrando e ecoando sentimentos e percepções do mundo à volta. Muito do que é mostrado ocorre na cabeça dos personagens e não na ação de fato. Isso pode incomodar os leitores que buscam uma narrativa mais direta e/ou linear, mas aqueles que forem persistentes serão brindados com uma belíssima história de busca de identidade.
P.S.: Eu já havia lido outro sul-africano, também Nobel de Literatura, J. M. Coatzee. Igualmente vale a pena.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

#5 Liderança – A Inteligência Emocional na Formação do Líder de Sucesso, Daniel Goleman

Como o tema afeta o meu dia-a-dia, tenho lido bastante sobre liderança. Este livro me atraiu principalmente porque, além do lado administrativo, ele tem um viés psicológico, já que o autor é psicólogo e o expert em inteligência emocional.
Confesso que eu me decepcionei com alguns aspectos do livro, mas talvez tenha sido por desinformação minha – tinha de ter sido feito um ajuste de expectativas! Não é que o conteúdo seja ruim, não. Mas como ele é uma coletânea de artigos previamente publicados em revistas e sites de negócios, os temas se sobrepõem e  os textos acabam sendo repetitivo.
Fora isso, achei muito interessante, de leitura agradável e muito útil para meu trabalho. Recomendo para quem também está nessa posição.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

#4 E Não Sobrou Nenhum, Agatha Christie



Eu e meu amigo Otávio Al’ban estávamos outro dia falando novamente de escritores ou escritoras que nunca havíamos lido e eu tive coragem de admitir (e agora em rede nacional!) que nunca havia lido Agatha Christie (me julguem!). Ele disse ser fã incondicional da autora inglesa e eu pedi recomendações para me iniciar. Uma delas era E Não Sobrou Nenhum.

Clássico suspense que prende do início ao fim, em que em vários capítulos você acha que estão sendo dadas pistas de quem é o assassino e na verdade aquela pessoa acaba sendo a próxima que morre. Enfim, constatei porque a britânica se tornou a dama do suspense. Livro gostoso de ler, com uma história intrigante. Ótima diversão! Com certeza me aventurarei por outras obras suas.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

#3 Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Teles

Pode-se dizer que estou numa fase de acertar contas com autores que nunca li e há muitos e muitas brasileiras entre eles.
Lygia era dessas que eu só via o nome em coletâneas de contos e, confesso, nunca tinha tido nenhum interesse muito forte. Daí que conversando com meu amigo Otávio Al’ban, leitor voraz, esses dias sobre metas de leitura para 2018, ele me mostrou sua imensa lista de autores nacionais que quer ler esse ano. Não lembro se de fato Lygia estava entre eles, mas acendeu uma luzinha aqui pra mim de que eu deveria ler/conhecer mais autores nacionais também. Daí que o segundo empurrãozinho veio de uma promoção numa livraria de obras de Lygia Fagundes Telles com um preço bem convidativo para a versão digital. Escolhi apenas pela sinopse começar com Ciranda de Pedra, sem saber que esse foi o primeiro romance da autora. Juro, eu nem lembrava que já haviam sido feitas novelas desse romance! Não devo tê-las visto na época em que passaram.
Primeiro que essa mulher escreve fabulosamente bem. Há tantos não ditos, tantos “quases”, tantas sutilezas que perpassam a narrativa, que fazem desse romance uma obra de alto nível em termos de linguagem.
Segundo que a construção da protagonista Virgínia é toda no plano psicológico; o leitor entra na cabeça dela; acompanha seus pensamentos, seu raciocínio. Nós, leitores, vamos descobrindo a Virgínia no seu processo de amadurecimento ao mesmo tempo que ela própria vai se conhecendo. O desmembramento de sua família é que vai desencadeando suas reações e faz com que nós também questionemos a nossa existência e as nossas relações, quão hipócritas podemos ser em certos momentos e quão sabotadores chegamos a ser da nossa própria felicidade.

Enfim, fui muito feliz na leitura. Antes tarde do que nunca! 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#2 O Quinze, Rachel de Queiroz

Quando eu adquiri meu leitor digital pouco mais de um ano atrás, ganhei um livro de uma lista pré-selecionada pela loja e escolhi baixar O Quinze, do qual tinha ouvido falar brevemente no ensino médio, nas aulas de modernismo brasileiro. Aquela era uma época que me fascinava, os autores regionais. Li e reli Vidas Secas, de Graciliano Ramos, com imenso prazer e vontade de estudar um pouco mais. Já na faculdade de Letras, voltei a Graciliano com a obra São Bernardo, mas nunca voltei a Rachel de Queiroz. Em novembro de 2017 li As Três Marias, enviado pela TAG e resenhado aqui já (http://adrianabuzzetti.blogspot.com.br/2017/12/32-as-tres-marias-rachel-de-queiroz.html) e agora resolvi acertar as contas com o primeiro romance dessa escritora cearense. 
Já impressiona por ela o ter escrito aos 19 anos. A seca que relata era tão contundente que não pode passar incólume aos olhos da jovem escritora. Nele, ela narra a saga de famílias, representadas aqui pela de Chico Bento, que perdem trabalho porque se foi todo o gado, o pasto, enfim, suas formas de subsistência, devido à seca devastadora que assolou o nordeste brasileiro no ano de 1915. Na fuga do local de origem, alguns morrem, outros tentam caminhos alternativos que também não levam a uma vida mais digna. Há ainda o romance entre Conceição e Vicente, que permeia o livro todo.

Rachel tem uma prosa cativante que faz o leitor não querer parar de ler. O livro pode não ter a profundidade psicológica de um Graciliano ou a complexidade linguística, de enredo e narrativa de um Guimarães Rosa, mas é um fiel recorte de um momento importante na história regional do país, inserindo já no início da carreira essa escritora no rol dos romancistas representantes de um momento também muito importante da nossa literatura.