domingo, 20 de janeiro de 2019

#39 História Bizarra da Psicologia, Raquel Sodré


Livro que conta com linguagem fácil e até coloquial e bem-humorada curiosidades e detalhes sombrios da história da psicologia, passando por estudos, tratamentos e experimentos os mais bizarros, para fazer jus ao nome do livro. Na Idade Média, pessoas com problemas psíquicos eram consideradas ter o diabo no corpo, pra dizer o mínimo.
Desde que pesquisadores começaram a investigar o que está por traz do funcionamento da mente, as coisas mais estranhas já foram feitas para tentar chegar a descobertas ou a lugar nenhum. Como curiosidade e passatempo, é uma leitura agradável e interessante.

sábado, 19 de janeiro de 2019

#38 Meu Livro Violeta/Por Você, Ian McEwan


O inglês Ian McEwan é um dos meus autores favoritos contemporâneos, mas confesso que esse duo Meu Livro Violeta/Por Você não me empolgou, não.
A primeira história, Meu Livro Violeta, é um conto meio esticado sobre uma traição literária. Os personagens principais são autores, o que é sempre interessante. Mas aqui não tem nada daquela profundidade delicada do autor em suas outras obras.
Por Você trata de uma traição amorosa e o ambiente é o meio musical clássico (que já esteve presente de leve em outros livros de McEwan) em formato de opereta.
Nenhum dos dois empolgou, porém não tiram minha admiração pelo escritor britânico.
Em tempo: McEwan será curador da TAG Experiências LIterárias, aquele clube de leitura do qual faço parte, este ano! Não vejo a hora!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

#37 Julio Cesar, William Shakespeare


O que dizer de um clássico? E quando esse clássico é Shakespeare a coisa fica mais difícil ainda. “Julio Cesar” faz parte das peças históricas de William Shakespeare e retrata a Roma de ano 44 a.C. Eu li a edição de um box maravilhoso da editora Nova Fronteira (mais maravilhoso ainda porque comprei em uma promoção). A história é conhecida: Julio Cesar é um imperador poderoso e influente que acaba sendo assassinado por um até então aliado, Brutus, que alega que a ambição desmedida de Cesar o estava levando à tirania. A princípio, sua versão é comprada e ele é tido como herói. Outro aliado de Cesar, Marco Antonio, sai em sua defesa, acusa Brutus de traição e sua versão acaba sendo a aceita no final.
O que é impressionante é como pouca coisa mudou em 2 mil anos na política: a traição, o poder desenfreado, a desmedida (a húbris grega), está tudo aí esse tempo todo. Shakespeare é tão atual e entendeu tanto a alma humana que é isso que faz dele o que é. Quem lê em inglês e quer saber um pouquinho mais sobre sua atemporalidade, deve ler este artigo aqui que saiu no jornal inglês The Guardian em 2017:
https://www.theguardian.com/books/2007/apr/14/classics.shopping


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

#36 O Quarto em Chamas, Michael Connely


História de detetive empolgante, que prende a leitura, mas nada de muito vigor literário. Personagens previsíveis; reviravoltas, também. Uma pessoa morre após 10 anos de um crime ser cometido e o detetive Bosch é chamada para resolver o caso e cavoucar em provas que estão enterradas no passado. Para isso, conta com a ajuda a detetive em ascensão Lucy, recém-reconhecida pela participação em um caso importante.  A investigação esbarra num outro caso do passado que está intimamente ligado á história da jovem investigadora. Um bom passatempo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

#35 A Coisa Mais Próxima da Vida, James Wood


James Wood é um crítico literário inglês que neste livro, A Coisa mais Próxima da Vida, traz uma coletânea de ensaios que acabam sendo quase que uma obra de arte pela delicadeza com que defendem a ideia de que o romance, tão cheio de vida, paira acima da possibilidade da morte e segue incólume.
O livro é carregado de uma certa nostalgia por parte do autor, hoje na casa dos 50 e poucos anos, sobre sua infância e juventude. Por meio dessa obra, fica mais fácil compreender como e por que a literatura é uma forma de dar sentido ao quer parece inexplicável.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

#34 A Promessa/A Pane, Friedrich Dürrenmatt


Duas histórias em um livro. Nunca havia lido um autor suíço. Confesso que nem conhecia Friedrich Dürrenmatt. Em A Promessa, um policial não se conforma por não ter solucionado o assassinato de uma menina enquanto era o responsável pelo caso e traça um plano para, como um lobo solitário, pegar o assassino. Como os acontecimentos vão sendo revelados, torna o enredo um pouco anti-clímax, mas foi muito bem escrito.
Já em A Pane, um pouco mais curtinha, é dividida em duas partes. Na primeira, o autor faz uma reflexão sobre possíveis histórias para ficcionistas. Na segunda parte, temos uma história que pode ser uma resposta às opções da primeira parte. Alfredo Traps é um caixeiro-viajante que acaba sendo abrigado na casa de um ex-juiz quando seu carro tem uma pane na estrada. Lá também estão outros personagens (um ex-promotor, um ex-advogado, um ex-carrasco) que vão dar sequência a um jogo que termina de forma inesperada.
As duas histórias são muito bem contadas e os personagens tem sutilezas que só percebemos nas entrelinhas. Não percam!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

#33 O Tribunal da Quinta-Feira, Michel Laub


Férias, viagem, fim de ano... Por isso não dei conta de publicar todas as resenhas dos livros que li em 2018 (foram 50) e ainda estou fazendo isso. Espero em breve terminar, escrever a retrospectiva de 2019 e seguir com os livros deste ano.
Enquanto isso, ficamos com uma das melhores surpresas do ano passado. Tento ler autores brasileiros contemporâneos e tinha curiosidade na obra de Michel Laub, mas não tivera a oportunidade. Mas me chamou a atenção quando fui a uma livraria trocar um livro que ganhara de presente de aniversário e que já tinha.
Um livro sobre a quebra da privacidade e a hipocrisia que pode estar em todo canto quando as redes sociais deixam nossa vida tão à mostra, "O Tribunal da Quinta-Feira" se passa no ano de 2016 com acontecimentos que remontam os anos 80 e 90 e a epidemia da aids. A troca de e-mails entre dois amigos com linguajar peculiar para retratar a doença, o sexo, os seus relacionamentos é tornada pública e o julgamento que se segue pode ser o mote para nos fazer pensar como nos tornamos juízes do outro nessa era de acesso fácil ao que o outro fala, pensa, posta. Sinal dos tempos.