terça-feira, 22 de janeiro de 2019

#41 Southernmost – Rumo ao Sul, Silas House


Confesso que quase desisti. Levei várias páginas para me engajar um pouquinho na história e, ainda assim, depois de quase 100 páginas lidas eu quis parar. Mas aí já seria uma desonra desistir, então aguentei firme.
A história se passa no sul dos Estados Unidos. Após uma enchente histórica, o pastor Asher Sharp abriga um casal homossexual em sua casa e sofre repreenda de sua esposa e da comunidade religiosa a que pertence. Após esse episódio, Asher faz um sermão contra a homofobia na sua igreja e acaba expulso. Pra completar, a mulher o deixa e ele perde a guarda do filho, com o qual foge para o extremo sul da Flórida. Segue-se uma saga em que ele tenta provar que seu ponto de vista estava correto, mas ao mesmo tempo consertar outros erros do passado.
O tema é atual e, embora a intolerância tenha sido exagerada no livro, verossímil. Resvala bastante na pieguice e como obra literária carece de méritos maiores. Não achei que faz jus a um tema que é tão presente e importante hoje.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

#40 Léxico Familiar, Natalia Ginzburg


Agora que 2018 acabou, posso dizer que Léxico Familiar foi um dos melhores livros que li no ano passado. Natalia Ginzburg narra as memórias de sua família na Itália dos anos 30 aos anos 50 através de seu particular linguajar. 
Seu pai, talvez o personagem mais peculiar, tem as melhores frases, que Natalia muitas vezes teve que explicar ao longo do livro: tinha sua opinião formada e explicitada sobre os filhos: o que deviam fazer, com quem (não) deviam andar, o que (não) eram boas companhias, se sabiam ou não educar os filhos....sempre com aquela sinceridade que às vezes nos falta com o anseio de agradar.
Enquanto mostra a família como um clã que tem sua linguagem própria como sinal de pertença, de marcação de lugar no mundo, o livro vai ao mesmo tempo deixando claro que essa união pode se desfazer com o que acontece ao redor. Ao mesmo tempo que trata de um microcosmo é o recorte de um momento histórico.

domingo, 20 de janeiro de 2019

#39 História Bizarra da Psicologia, Raquel Sodré


Livro que conta com linguagem fácil e até coloquial e bem-humorada curiosidades e detalhes sombrios da história da psicologia, passando por estudos, tratamentos e experimentos os mais bizarros, para fazer jus ao nome do livro. Na Idade Média, pessoas com problemas psíquicos eram consideradas ter o diabo no corpo, pra dizer o mínimo.
Desde que pesquisadores começaram a investigar o que está por traz do funcionamento da mente, as coisas mais estranhas já foram feitas para tentar chegar a descobertas ou a lugar nenhum. Como curiosidade e passatempo, é uma leitura agradável e interessante.

sábado, 19 de janeiro de 2019

#38 Meu Livro Violeta/Por Você, Ian McEwan


O inglês Ian McEwan é um dos meus autores favoritos contemporâneos, mas confesso que esse duo Meu Livro Violeta/Por Você não me empolgou, não.
A primeira história, Meu Livro Violeta, é um conto meio esticado sobre uma traição literária. Os personagens principais são autores, o que é sempre interessante. Mas aqui não tem nada daquela profundidade delicada do autor em suas outras obras.
Por Você trata de uma traição amorosa e o ambiente é o meio musical clássico (que já esteve presente de leve em outros livros de McEwan) em formato de opereta.
Nenhum dos dois empolgou, porém não tiram minha admiração pelo escritor britânico.
Em tempo: McEwan será curador da TAG Experiências LIterárias, aquele clube de leitura do qual faço parte, este ano! Não vejo a hora!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

#37 Julio Cesar, William Shakespeare


O que dizer de um clássico? E quando esse clássico é Shakespeare a coisa fica mais difícil ainda. “Julio Cesar” faz parte das peças históricas de William Shakespeare e retrata a Roma de ano 44 a.C. Eu li a edição de um box maravilhoso da editora Nova Fronteira (mais maravilhoso ainda porque comprei em uma promoção). A história é conhecida: Julio Cesar é um imperador poderoso e influente que acaba sendo assassinado por um até então aliado, Brutus, que alega que a ambição desmedida de Cesar o estava levando à tirania. A princípio, sua versão é comprada e ele é tido como herói. Outro aliado de Cesar, Marco Antonio, sai em sua defesa, acusa Brutus de traição e sua versão acaba sendo a aceita no final.
O que é impressionante é como pouca coisa mudou em 2 mil anos na política: a traição, o poder desenfreado, a desmedida (a húbris grega), está tudo aí esse tempo todo. Shakespeare é tão atual e entendeu tanto a alma humana que é isso que faz dele o que é. Quem lê em inglês e quer saber um pouquinho mais sobre sua atemporalidade, deve ler este artigo aqui que saiu no jornal inglês The Guardian em 2017:
https://www.theguardian.com/books/2007/apr/14/classics.shopping


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

#36 O Quarto em Chamas, Michael Connely


História de detetive empolgante, que prende a leitura, mas nada de muito vigor literário. Personagens previsíveis; reviravoltas, também. Uma pessoa morre após 10 anos de um crime ser cometido e o detetive Bosch é chamada para resolver o caso e cavoucar em provas que estão enterradas no passado. Para isso, conta com a ajuda a detetive em ascensão Lucy, recém-reconhecida pela participação em um caso importante.  A investigação esbarra num outro caso do passado que está intimamente ligado á história da jovem investigadora. Um bom passatempo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

#35 A Coisa Mais Próxima da Vida, James Wood


James Wood é um crítico literário inglês que neste livro, A Coisa mais Próxima da Vida, traz uma coletânea de ensaios que acabam sendo quase que uma obra de arte pela delicadeza com que defendem a ideia de que o romance, tão cheio de vida, paira acima da possibilidade da morte e segue incólume.
O livro é carregado de uma certa nostalgia por parte do autor, hoje na casa dos 50 e poucos anos, sobre sua infância e juventude. Por meio dessa obra, fica mais fácil compreender como e por que a literatura é uma forma de dar sentido ao quer parece inexplicável.