Vocês já sabem que eu assino a TAG Experiências Literárias, que agora é TAG Curadoria.
Mas também já faz dois meses que recebo os livros de um outro selo deles recém-lançado, a TAG
Inéditos. Enquanto a primeira traz para o leitor livros mais consagrados (mas
nem por isso muuuuiiiito conhecidos), esta última trabalha com best-sellers. O
que é legal é que os livros são inéditos no Brasil, de autores que estão
bombando lá fora. Umas semanas atrás já publiquei a resenha de A Boa Filha (http://adrianabuzzetti.blogspot.com/2018/05/18-boa-filha-karin-slaughter.html),
que foi o primeiro livro enviado por este selo. Em maio recebi Stalker. Não espere uma grande obra da
narrativa contemporânea, mas a história vai prender e fazer quem lê não querer
parar. Fig Coxbury teve frustrado seu sonho de ser mãe e ainda foi abandonada
pelo marido. O que ela sempre sonhou como família ideal aparece na sua frente
em um parque de Seattle, onde mora. Ela acredita que tem que ir atrás do que é
seu e se infiltra na vida dessa família. O que de cara parece ser o caso de uma
sociopata revela outros podres que foram varridos para debaixo do tapete. Bem
rasinho, mas bem gostoso de ler se não quer quebrar a cabeça e só curtir uma
historinha de perseguição. Engraçado é que o título Stalker ficou só com a edição lançada aqui. Embora seja uma palavra
em inglês que nós já aportuguesamos (vide o verbo stalkear ou estalquear), na
edição original se chama Bad Mommy.
Quer ler vai entender.
domingo, 10 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
#20 Tempo de Migrar para o Norte, Tayeb Salih
Eu já falei outras vezes que a #taglivros vem
me proporcionando experiências incríveis, não é à toa que seu nome é Tag
Experiências Literárias. Nesses dois anos de assinatura tive oportunidade de
ler autores e autoras de quem eu jamais ouvira falar, e olha que eu leio uma
certa variedade! Tive oportunidade de estar em contato com culturas diferentes,
escritores de nacionalidades que eu nunca havia lido antes, histórias e
personagens os mais ricos. E isso não é um post pago. É que sinto necessidade
de explicar de onde eu tirei um escritor sudanês!!!
O livro de maio do clube foi indicado por
Milton Hatoum, escritor brasileiro contemporâneo de quem eu também gosto bastante,
então já vinha com uma certa avaliação, digamos. O narrador, além de não ser o
personagem principal, não é nomeado. Ele, ao contar a história do conterrâneo
Mustafa Said, que teve trajetória semelhante à sua, saindo do Sudão para
estudar na Inglaterra, em épocas distintas, e voltando à terra natal para viver
em sua aldeia de origem, está também fazendo uma análise do colonialismo, da
herança britânica na colônia africana, do olhar do Ocidente sobre o Oriente e
vice-versa, por fim, da alma humana.
Como já disse antes, recomendo fortemente a
todos que gostam de ler que saiam um pouco de sua zona de conforto e leiam de
vez em quando algum autor/autora de algum país sobre o qual você não saiba
muita coisa (ou um assunto que não seja exatamente seu foco de interesse). Não
quer dizer que após ler a obra literária você vai passar a saber. Mas é uma
forma de tomar contato com outras escritas, com outras maneiras de pensar, com
outras narrativas, personagens intrigantes e pode até te fazer querer saber
mais sobre aquele lugar, aquele país, seu povo e sua história e aí você pode
buscar informação por conta própria. E conhecimento nunca é demais!
segunda-feira, 28 de maio de 2018
#19 O Assassinato e Outras Histórias, Anton Tchekhov
Quem acompanhou o blog no ano passado viu que
eu sou fã de literatura e cultura russa e que Tchekhov é um dos meus autores
preferidos. Falta ler muitas coisas ainda, mas este O Assassinato e Outras Histórias foi o último livro de contos que
eu tinha e ainda não havia lido. Ao contrário de O Beijo e Outras histórias e A
Dama do Cachorrinho e Outras Histórias, os contos presentes aqui vem da
fase final da vida do escritor, que morreu em 1904 – a maioria foi escrita no
final do século XIX ou na virada do XIX para o XX.
Outra diferença em relação aos dois outros
livros de contos é que os textos aqui presentes também são mais longos. Segundo
Rubens Figueiredo, que traduziu e escreveu o prefácio desse livro, o tom de
humor que sempre permeou as histórias anteriormente publicadas já não está
presente nas reunidas nesse livro e os contos aqui também carregam um tom mais
inconclusivo. Isso, muitas vezes, nos faz questionar: “Essa história é sobre o
quê?” E é aí que mora a beleza da escrita desse autor russo: ele faz o leitor
ver a beleza, a tristeza, a emoção da vida nas mais pequeníssimas coisas. Você
fica com a impressão de que o conto é sobre nada em especial, mas ele, no
fundo, te mostra tudo que pode estar ou representar um recorte simples do
cotidiano.
Pra mim, Tchekhov é um dos maiores escritores
de todos os tempos.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
#18 A Boa Filha, Karin Slaughter
Esse romance “fresquinho” de 2017 é
um thriller. Um crime que aconteceu há 28 anos e que parecia ter estabilizado a
relação entre as pessoas envolvidas bem como suas vidas volta à tona devido a
um outro crime envolvendo algumas das pessoas que estiveram na cena do
primeiro, embora um não tenha nenhuma relação com o outro.
Apesar de a narrativa se arrastar em alguns
momentos (as quase 500 páginas poderiam ter sido reduzidas para umas 300 ou
350), em outros fazem o leitor esquecer de fome, sono e outras necessidades
fisiológicas para não parar de acompanhar essa história. É, sim, um típico page-turner, ou seja, aquele livro que
você não consegue parar de virar as páginas para continuar lendo.
Algumas personagens poderiam ter sido melhor
construídas. O aspecto religioso na Sra. Pinkman, por exemplo, achei um tanto
quanto caricato. O mesmo com o motivo do personagem-elemento surpresa do crime
de 28 anos atrás ou o caráter extremamente benevolente de Ben (algum trocadilho?),
marido de Charlotte.
Sendo assim, não espere nenhuma obra-prima.
Mas é uma leitura agradável, diversão na certa!
segunda-feira, 14 de maio de 2018
#17 Reparação, Ian McEwan
Normalmente eu leio o livro e depois vejo o
filme, mas aqui foi o contrário. Assisti ao filme Desejo e Reparação acredito
que há quase (ou mais de) 10 anos e adorei. Naquela época, não havia lido Ian McEwan ainda, e até
chegar a Reparação eu li outros 6 livros dele. Embora tivesse adorado o
filme, achava que o livro não ia me trazer surpresas porque já conhecia a
história. Mas aí que é que está o que faz a boa literatura: não é o que se
conta, mas COMO se conta, e isso é evidente nesse livro. O começo um pouco
arrastado e focado demais na adolescente Briony é absolutamente necessário para
a construção da personagem que é quem dispara o gatilho para se desenrolar a
trama central do romance.
Numa tarde quente do verão de 1935 na
Inglaterra, a jovem Briony, que sonha em ser escritora, está às voltas com os
primos que deveriam encenar uma minipeça que ela escrevera. Enquanto isso, ela
vê a irmã, Cecelia, conversando e se refrescando com um amigo de infância,
Robbie, na fonte da casa da família. Esse e outros acontecimentos um pouco mais
obscuros despertam na jovem escritora wanna-be a fértil imaginação e o que ela
revela acaba por influenciar drasticamente a vida de outras pessoas. Briony
tenta, já adulta, reparar o mal que causou. É uma personagem bastante complexa,
posto que se torna difícil rotulá-la. As divagações e reflexões que vão
aparecendo no decorrer do romance mostram como McEwan consegue criar
personagens interessantes e como ele delineia uma história (de amor) bonita,
forte, mas não piegas. Eu arriscaria considerar dizer que é o melhor romance
desse autor britânico (entre os sete que já li). Se você ainda não leu McEwan, é uma excelente porta de entrada.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
#16 A Glória e seu Cortejo de Horrores, Fernanda Torres
Não li o primeiro romance da atriz e escritora
Fernanda Torres, Fim, publicado em
2013. Também não li seu livro de crônicas, Sete
Vidas, de 2014. E confesso que esse seu segundo romance, A Glória e seu Cortejo de Horrores,
lançado em 2017, quase ia pelo mesmo caminho, mas a sinopse me agradou. Acho
muito abstrato dizer que parte da sinopse de um livro dá aquele clique que te
faz pensar: “Quero ler!”. Mas com esse foi meio assim. E como estávamos bem no
fim do ano passado, coloquei na minha lista de sugestões de presentes de amigo
secreto e uma colega querida escolheu pra me presentear, junto com o novo de
Milton Hatoum, que logo deve estar aqui no blog também!!!!
Resumindo: devorei em 3 dias a história de
erros e acertos do ator Mario Cardoso, do início de sua carreira nos anos 60
até os dias de hoje. Primeiro, que a autora consegue imprimir uma narrativa extremamente
cativante, escrevendo em 1ª pessoa na voz de Mario. Segundo que tem um quê de
tragicomédia na história. E, por último, mas não menos importante, porque o
enredo é permeado de reflexões sobre a vida na voz de Mario, mas que podem ser
da própria Fernanda, minha, sua, dos nossos amigos contemporâneos.
Pra quem possa vir a ter qualquer preconceito
pelo fato de ela trabalhar para a maior rede de televisão do país e por tudo o que
isso representa, eu diria: dispa-se dele e não se prive de tamanho deleite.
terça-feira, 1 de maio de 2018
#15 A Visita Cruel do Tempo, Jennifer Egan
Já havia visto esse livro algumas vezes nos
sites de livraria e o título me chamou a atenção. Muitas vezes a gente precisa
daquele empurrãozinho de uma promoção para chegar a uma determinada obra. Nesse
caso, valeu a pena. Me identifiquei de forma intensa com a história, que é
contada sob o ponto de vista de diversos personagens, de momentos diferentes no
tempo e espaço, sendo que de certa maneira todos estão ligados.
O pano de fundo é a música (porque será que me
identifiquei tanto?????), já que um dos personagens, Bennie, é produtor musical
em Nova York, que teve seu apogeu nos anos 80, quando foi responsável por
lançar a banda punk Conduits, mas hoje já não goza de tanto prestígio. A
história acompanha a vida dele e de alguns amigos (e amigos de amigos) que o
cercam e que vivem em função da música (como lazer) desde a adolescência. Mas
poderia ser qualquer outro contexto se a autora não fosse jornalista musical e não
estivesse também envolvida nesse meio por quase toda a vida.
É um bonito e triste filme de como as amizades
podem se perder (como um processo natural da vida) e de como podem ser
resgatadas; de como a gente pode se arrepender e se ressentir por não se
tornado o que sonhava que se tornaria aos 20 anos de idade; e de como alguns desfechos
são inevitáveis.
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